Uma constelação é um trabalho em que se representa, no espaço da sala, o sistema familiar de uma pessoa. Outras pessoas presentes ocupam o lugar dos membros da família, e o que se vê de fora é aquilo que de perto costuma estar demasiado próximo para se conseguir olhar.
A ideia de base é simples: cada um de nós faz parte de um sistema que começou antes de nós. Há lugares que ficaram por ocupar, pessoas de quem se deixou de falar, perdas que nunca foram ditas em voz alta. Essas coisas não desaparecem por não se nomearem. Continuam a organizar o sistema por dentro, e às vezes chegam até nós como um peso que parece nosso mas é mais velho do que nós.
O trabalho é sobretudo de observação. Não se interpreta nem se aconselha, e não se resolve nada à pressa. Olha-se para o que aparece, dá-se lugar ao que estava sem lugar, e às vezes basta isso para alguma coisa assentar de outra maneira. Não é mágico nem é garantido, e não se promete mais do que isso. Mas quem passa por aqui costuma dizer que foi transformador.
O trabalho faz-se sempre a partir das ordens do amor, que é como quem diz: cada pessoa e cada história ficam no lugar que lhes pertence. Não se julga ninguém, e não se está ali para dar opinião sobre a vida de quem quer que seja. O que se procura é só ganhar perspectiva sobre aquilo que cada um trouxe.
Pode fazer-se em grupo, com outras pessoas a representar o sistema, ou individualmente, com outros recursos a ocupar esse lugar. As duas formas funcionam; a escolha costuma ter a ver com o momento em que cada pessoa está e com a vontade de pôr a sua situação à frente de um grupo.
Uma coisa que só se percebe quando se vai: no grupo, quem assiste também trabalha. Vê-se a história de outra pessoa e, pelo caminho, apanha-se boleia. Alguma coisa da nossa própria família, ou de um padrão que repetimos, aparece ali sem termos ido buscá-la. Por isso é comum sair-se de uma constelação em grupo com trabalho feito, mesmo sem se ter constelado.